Cláudio Carvalho Fernandes
"A existência precede a essência"
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Textos

"Tecendo a manhã", Poema do Poeta pernambucano Luiz, isto é, João Cabral de Melo Neto

Poema de João Cabral de Melo Neto "Tecendo a manhã", 1966 :

1.

Um galo sozinho

não tece uma manhã:

ele precisará sempre de outros galos.

De um que apanhe esse grito que ele

e o lance a outro; de um outro galo

que apanhe o grito de um galo antes

e o lance a outro; e de outros galos

que com muitos outros galos se cruzem

os fios de sol de seus gritos de galo,

para que a manhã, desde uma teia tênue,

se vá tecendo, entre todos os galos.

2.

E se encorpando em tela, entre todos,

se erguendo tenda, onde entrem todos,

se entretendendo para todos, no toldo

(a manhã) que plana livre de armação.

A manhã, toldo de um tecido tão aéreo

que, tecido, se eleva por si: luz balão.

........................................................

Assim como "Catar Feijão", "Tecendo a manhã" pode ser considerado como um meta-poema, isso porque o tema central da lírica é a reflexão sobre a construção do próprio poema.

Trata-se de uma linguagem que se dobra sobre si mesma e que enfatiza o processo de composição do trabalho. Lançado em 1966, a pegada dos versos é extremamente poética e lírica e é capaz de transmitir ao leitor a beleza da criação a partir de exemplos cotidianos e fortuitos.

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Cláudio Carvalho Fernandes e João Cabral de Melo Neto
Enviado por Cláudio Carvalho Fernandes em 12/03/2026
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