Cláudio Carvalho Fernandes
"A existência precede a essência"
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Textos

"Rumbo a Nausicaa", Poema de Décio Pignatari :

 

 

 

 

 

 

 

RUMBO A NAUSICAA

 

 

2

 

Dizer suave ao tempo, Lila,

é consentir que é tarde. Minha nuca

meu braço direito e o pulso de platina, nunca

os chamou assim a terra, coma em dezembro,

—não a terra

que invade as entranhas indefesas, mas aquela

cujo desterro sobre é o escoar do sangue

tão frouxo! além dos poros, em busca

de um sulco mais ferrenho, —vivos

por sortilégio do insensível, sem

mais império do que passar os dedos

por ladrilhos brancos, como

um fio de barba ou minguante de unha

dissolvidos num copo: alquimia do pranto.

O sopro e o sangue criam, não

ressuscitam. Os mortos

aborrecem chamados de esperança. As crianças

turbam a ordem. Os poetas

comovem o caos, afligem

o ventre das mulheres. E dizer

suave ao sono, é consentir: São tarde, Lila,

são muito tarde, os seios com que agora

 

 

 

 

 

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Décio Pignatari.
Enviado por Cláudio Carvalho Fernandes em 13/01/2026
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