EX NUNC
Com a morte no peito
Visto esse corpo
ainda quente
com a camisola branca.
Nos cabelos embaraçados
Faço duas tranças
Que enrosco sobre os braços
cruzados no meio... no seio
Nessa última prece atéia.
E os pé embaixo
Arrasto pela mesa
pra calçar a meia.
A boca pra não abrir
cerro com um lenço
Amordaçando o silêncio
Agora inteiro.
E as narinas
com algodão eu tapo
Aos olhos que estáticos
ficaram eu fecho
Sem obstáculo.
E pronto o corpo
Guarneço com flores
E sobre a mesa
Exponho esse cadáver.
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ALAI GARCIA DINIZ
Licenciou-se em Letras -- Por-
tuguês e Espanhol, pela USP, e fez
curso de Filologia Espanhola, em
Madri, na Espanha. Durante dez
anos atuou na rede de ensino público
de 1º e 2º graus do estado de São
Paulo. Atualmente (em 1988) leciona Espanhol
na UFSC. Participou da publicação
marginal "Juntando Isso dá Poesia",
em Taboão da Serra, SP. Vem parti-
cipando ultimamente de "performan-
ces" poéticas realizadas em Floria-
nópolis.
