Só não aceita as próprias limitações quem está colonizado por uma ideologia predatória.
Vivemos tempos em que admitir limites virou quase um pecado. O cansaço é tratado como fraqueza. O medo, como falha moral. O descanso, como preguiça. Essa lógica cruel, que exige produtividade infinita, é o retrato de uma ideologia predatória e profundamente colonizadora.
Paulo Freire já alertava para o perigo da “consciência oprimida”: quando o oprimido internaliza os valores do opressor e passa a negar sua própria realidade.
Frantz Fanon mostrou como o colonizado rejeita até sua própria identidade, tentando se adequar a padrões que nunca foram feitos para ele.
Byung-Chul Han, em A Sociedade do Cansaço, revela que hoje nos exploramos a nós mesmos, guiados por um imperativo de desempenho sem fim.
A verdade é que aceitar nossos limites não é fraqueza, é libertação. É dizer "não" a um sistema que nos quer incansáveis, silenciosos e exaustos. É recusar a lógica que transforma seres humanos em engrenagens descartáveis.
Descolonizar a mente também é reaprender a cuidar de si. Re-humanizar-se. Re-habitar o próprio corpo com compaixão.
É afirmar: meu valor não depende da minha produção. Eu tenho direito ao cansaço, ao erro, à pausa e à vida com dignidade.
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