Cláudio Carvalho Fernandes
"A existência precede a essência"
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Textos

Alguns Poemas meus do livro em parceria com o Poeta Popular Zé Bezerra, o "Águia de Prata", "DOIS COLIBRIS E UMA FLOR" :

 

 

 

 

 

 

jus

para a beleza

 

 

de todos os meus desejos

apenas este, mais nenhum:

gastar todos os meus beijos

pra te dar ao menos um!...

 

 

 

 

 

 

tudo

para minha amiga Mara

 

 

você é um poema da natureza

dizendo que a vida vale o enquanto

durar o vir ver a tua beleza

no infinito instante deste encanto

 

 

 

 

 

outra “fábula moderna” ou “a modernidade revisitada”

 

 

musamada passeava pelos campos em alegria

quando confusa abelha pica-lhe o peito

pensando ser, talvez, uma outra flor que havia

desabrochado no ar, por algum mágico efeito

 

“Eu”, atento fauno, de plantão, todo insuspeito,

apressa-se em aliviar a dor que a crucia,

com muito remédio, da mesma abelha, de mel feito,

para uma das flores irmanadas em harmonia...

 

e menos de se esperar não seria

vir, de uma flor para outra flor,

ver o bálsamo para crua agonia:

 

por enquanto, de bom, o mel lambe-lhe a dor

e, lambendo sua nua forma, o mau desejo (se) alivia

(d)a profunda picada no peito que lhe deu Amor...

 

 

 

esperando a morte

 

 

da complexidade dos sentimentos e emoções

não há nada tão certo sobre a terra

quanto aquilo que menos supões:

o amor é mais difícil do que a guerra!...

 

 

carne

 

 

a tarde pública se guarda em metralhadoras

gasta-se a vida no hermetismo da rosa

flor que ronda as manhãs conquistadoras

de mais noites despetaladas em sua rota

 

 

 

 

 

 

quarto

quadro

quatro

 

o que importa é o gado:

importa a fome massificada

em alimento logo preparado

nesses pastos de mais nada

 

gado enganado e engordado

com o pó da vida minguada

remarcado e feliz esse gado

exporta a força da boiada

 

gado descuidado, embriagado gado

pelo verde e a água da chuvarada

em seu couro, pelo sol salgado,

o viver se curte na vida parada

 

o que em parte é o gado

comporta a forma nulificada

sem a(u)limento: o só arrebanhado

desde o mato até menos cada

 

 

 

negócio

 

 

a morte industrializada

sob o rótulo “VIDA”

abastece em cada rês

a existência perdida

 

 

 

 

 

amórica

 

 

américa, soy loco por ti, de amores,

mesmo sem a guerrilha do povo

e com a mesmice de outras flores

mais vale sonhar o teu sonho sempre novo.

 

américa, soy loco por ti, de amores,

é tua a vida em que me movo

por entre tons de várias cores

mas todas saídas de próprio ovo.

 

américa, de amores, soy loco por ti,

pelos longos quinhentos anos

de curtir a rexistência que vivi.

 

américa, por ti, soy loco de amores,

e por todos los hermanos

que repartem alegrias e dores.

 

 

“prima quae vitam dedit hora carpit”

 

O amor na vida se apresenta

para alguns como chama calma

para outros como vã tormenta

que só desgosta mais a alma

 

Sentimento de cargas opostas

que desgastam toda resistência

por vezes sem mostrar respostas

apesar de toda uma existência

 

Para alguns é a própria vida

para outros a própria morte

emoção da razão dividida

sem ter rumo sul ou norte

 

Amor

Cantiga alegre ou triste

sombras claras ou furtivas

de algo que somente existe

em almas mortas e vivas...

 

drama

 

 

minha paixão é bela

e, tristemente, assim:

eu não vivo sem ela,

ela vive sem mim...

 

 

 

de tudo o que se leva adiante

para o poeta popular Zé Bezerra

 

Que não se tema o caminho

Nem a ânsia da procura

Pois somente o carinho

Já é muito de ventura

 

 

 

Beserol

 

 

 

A vida em si acaba contendo

Um dilema bem difícil de tratar:

Ou se vive amando, e sofrendo,

Ou se sofre então, por não amar...

 

 

 

 

 

Disfarce

 

A beleza é o disfarce

Da ignorância para que

A paixão possa expressar-se

Como vida do vir ver...

 

SAUDADE

 

Saudade,

Fantasma da presença,

Distância que é quase nada

Para a pessoa que pensa

Na outra pessoa amada...

Saudade,

Encontro na distância,

Num único pensamento:

Duas vidas nessa ânsia

De viverem o mesmo momento...

Saudade,

Espaços vagando no tempo, na vida,

Futuro presente de um passado

Vivenciando a lembrança da presença querida

Em um encontro distanciado.

Saudade,

É algo para se pensar:

Como viver essa realidade

Se, de tanto e tanto amar,

Se ultrapassa a felicidade?...

 

 

Soneto polimétrico I

 

 

É preciso um pouco de carinho

mesmo com todos os perigos

pois em se abandonando o caminho

não se chega jamais aos destinos contíguos

 

É preciso um pouco-muito de confiança

e mais de vida na vida em flor

para que ainda exista esperança

num mundo fechado para o amor

 

É preciso que ainda se encontrem

no carinho um homem e uma mulher

para que nesse encontro se encantem

 

e façam renascer num gesto de fé

tanto amor quanto existia ontem

para a vida reviver, como se quer...

 

 

 

 

 

 

 

© Cláudio Carvalho Fernandes 2014-2025.                             

 

 

 

 

 

 

 

 

Cláudio Carvalho Fernandes
Enviado por Cláudio Carvalho Fernandes em 24/06/2025
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