SONETO 251 QUANTITATIVO
Centenas de sonetos são legado
de nomes tidos como monumentos.
Apenas de Camões, mais de duzentos,
registro que é por poucos superado.
Não fossem os Lusíadas o dado
que faz dele o primeiro entre os portentos,
ainda assim Camões marca outros tentos,
e, entre outros tantos, este é consagrado:
"Sete anos de pastor", o vinte e nove,
que, se não for mais belo, é o mais perfeito,
a menos que em contrário alguém me prove.
Mas, como dois é dom, três é defeito,
também um "Alma minha", o dezenove,
ocupa igual lugar no meu conceito.

MATTOSO, GLAUCO (pseudônimo)
Pedro José Ferreira da Silva (São Paulo SP 1951)
Também conhecido como "poeta da crueldade" (segundo alguns) e "poeta dos bassês e periquitos" (segundo outros), ou ainda como "poeta do pé" (segundo o resto), pratiquei, entre outros gêneros (haikai, limerick, glosa, concretismo), o soneto em seu cânone clássico (decassílabos heróicos rimados em ABBA ABBA CDC DCD) e em sua vocação satírica e fescenina, sem fugir à responsabilidade perante as graves questões humanas. De livros publicados e inéditos seleciono os onze mais típicos, tópicos ou auto-referentes, seguidos de outros onze, explicitamente "cruéis", que compõem o ciclo "Coprofagonia", dos oito que compõem o ciclo "Aventuras de João Lenão, o Poeta-Revelação" (estes alusivos ao próprio sonetismo enquanto bandeira de luta), e dos sete que compõem o ciclo "Os sete pecados capitais".
INFORMAÇÕES PELA WIKIPÉDIA:
Glauco Mattoso, pseudônimo de Pedro José Ferreira da Silva (São Paulo, 29 de junho de 1951), é um escritor brasileiro.
Seu nome artístico é um trocadilho com glaucomatoso, termo usado para os que sofrem de glaucoma, doença que o fez perder progressivamente a visão, até a cegueira total em 1995. É também uma alusão a Gregório de Matos, de quem se considera herdeiro na sátira política e na crítica de costumes.[1] O próprio se declara um "anarquista intelectual".
Glauco cursou biblioteconomia na Escola de Sociologia e Política de São Paulo e Letras na Universidade de São Paulo. Nos anos 1970, participou da resistência cultural à ditadura militar através do grupo dos "poetas marginais". Além de editar o fanzine poético-panfletário Jornal Dobrabil (trocadilho com o Jornal do Brasil e o formato dobrável dos folhetos satíricos), colaborou em diversos periódicos da imprensa alternativa...
...
Nos anos 1990, perde por completo a visão em decorrência do glaucoma de que sofria há anos. Deixa de lado a criação gráfica (história em quadrinhos e poesia concreta) e passa a dedicar-se a escrever letras de músicas e à produção fonográfica. Com o professor da USP Jorge Schwartz, ganha o Prêmio Jabuti pela tradução que ambos fazem da obra inaugural de Jorge Luis Borges, Fervor de Buenos Aires.
Nos anos mais recentes, retorna à criação de poesia escrita e textos virtuais, produzindo textos e poesias para a internet, colaborando em revistas eletrônicas e impressas, tais como a Caros Amigos.
A obra de Glauco Mattoso caracteriza-se pela exploração de temas polêmicos, tais como a violência e a discriminação. O autor tem a reputação de "poeta maldito", uma espécie de boca do inferno moderno ou Bocage pornográfico do século XX.[3]

